Apresentação

Ser humano é medo, é fragilidade, lágrimas e sangue...
sofrimento, agonia, angústia e lamento sem fim...
a mim, a ti, a nós, o medo atacará até perder a voz..
vocês não acreditam...
enquanto isso..
ele age silenciosamente ...

Somos alimentados por medo!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Grato

Obrigado por estarem ao meu lado
ser feliz convosco é o meu bom fado
vivi experiências e situações memoráveis
sensações únicas alastram em dias intermináveis
amáveis, sinceros, simpáticos, nunca apáticos
nesta era de frieza e violência e acontecimentos trágicos
funerais, festas, Carnaval ou uma passagem de ano
diversão e união, receita pura para um melhor ser humano
o dinheiro nunca foi razão para haver separação
ou troça de quem fosse, olhos eram o espelho do coração
em Famalicão, Porto, Viseu, Braga e outras cidades deste país
bons ventos de suaves brisas onde rimas fluíam como carris
de caneta em punho, sozinho, entrava no meu pequeno mundo
juntar amigos e escrita é algo que se torna imensamente profundo
porque o nosso baú contém lembranças inesquecíveis
onde se contam episódios de conselhos amigos e gestos incríveis
cada linha que crio é diminuta para tal demonstração de gratidão
quando vos vir no chão contem sempre com a minha mão
um abraço a cada um de vocês que me elevaram até o sol
esteja chuva, neve, trovões, granizo, lutarei sempre em vossa prol
vou fechar a cortina da gramática, vermelha e deslumbrante
lírico-medicina, este livro não se sente bem esquecido na estante!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Poesia: Sangue, humor e sarcasmo.

Na cidade das sombras, só há fumo e gás
abutres, hienas como ladrões e pessoas más
marcas de alcatrão antigo colorem a avenida
toda a alma pela ceifa da malícia foi tolhida
laboratórios criaram venenos que mataram gente
de forma indigente, indecente, horrenda e corrente
torrente de sangue e corpos enterrados a quente
de forma abrupta e sem requerimento ou pergunta
era total o desrespeito pela lembrança da defunta
discotecas agora vendem ácidos a caveiras e esqueletos
que se alimentam de drogas, acido sulfúrico e cianeto
neste submundo encontram-se situações do arco da velha
o ser humano fez-se um vulto, sem chama, espírito ou centelha
o espiritismo engoliu o cepticismo e revolucionou o pensamento
a fantasia tomou o seu lugar no assento mor do parlamento...


feitiçaria é uma vizinha interesseira que te torna no teu pesadelo
adivinho a asneira que se avizinha cortando o destino com um cutelo
a instrução que recebo e não nego nem renego é de cortar o nervo
não há tristeza quando me desintegro, na varinha pego para matar o servo
acorrentado, desorientado, todo arrebentado, apertado de coração
mal tratado na prisão, virtual coesão moral, que deixa enganado o cidadão
masmorra onde esta besta quer que eu morra, fechado numa cela em Andorra
aço é o produto que a forra, anseio a desforra, farto de ser ignorado, por esta camorra
que para o abismo me empurra, armada em burra, não sabem que eu sei voar
enviar sabedoria através do radar, mental descarregamento de informação secular
estropiem o físico, façam de mim tísico, que eu riposto com o terror empírico
cínico, crítico, lírico, sanguinário como um morcego, antecedo o anoitecer vampírico
de dentes afiados, laminados, eliminados falsos e falsos iluminados, acordos quebrados
por escritores desconfiados, de agentes apalhaçados, a tua mente foi criada por
espermatozóides atordoados...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Parte 2

Poesia Ardente parte 2, continua a saga
de Lisboa ao Cairo, de Luanda a Praga
capto todo o mundo à velocidade cruzeiro
sem ser ganancioso, nunca quis ser o primeiro
quero ser sempre melhor para te dar qualidade
na escrita que abrange toda a raça, cor ou idade
projecto na folha os sonhos que me completam
lá também curo todos negros males que me afectam
psicadélico instante faz-me acender a chama do raciocínio
sou amante do pensamento e todo o seu brutal fascínio
incandescente na semântica praticada neste meu cubículo
sejam bem vindos de volta, este é o segundo fascículo
tranco a ignorância num cofre para não se espalhar
na mísera e doentia amostra social que só serve para matar
do submundo vem a cena mais pura, escura que perfura
o vírus da malícia entranha-se em qualquer armadura
há que ter paz no coração e ar puro nos pulmões
ser pacifista em tempos de guerra, evitar confusões
respirar a felicidade mais verdadeira, sorri meu amigo
vive de forma ordeira e simples, faz como te digo
vê o teu reflexo no espelho e tem orgulho no que vês
não te sintas feliz apenas a cada fim do mês
o dízimo em dívida é efémero quando o coração fala
vital à essência do ser humano, a voz da rua não se cala!

domingo, 17 de julho de 2011

Covil

Num covil refundido nas cataratas do Niagara
um velho mágico encaixa rimas em série dentro duma arca
a Arca de Noé dos sonhos esquecidos
homens e mulheres pela poesia despidos
de preconceitos e dogmas que nos intoxicam
talento selvagem sem jornal ou rádio
ninguém o publicita
sobe a pulso
na força de um impulso
não escrevo avulso
pensarei até ao sepulcro
escuto em formato psicofónico
quando a alma se revolta o tumulto é hipersónico
veto toda a forma de distorção da verdade cristalina
atina sem platina
a escrita é uma menina que com fantasia
um mundo melhor
em paz sem balas ou minas

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Submundo

Submundo acorda e traz a malícia
em embarcações como uma tribo fenícia
hipotálamo arde em lume brando na fogueira
poesia a preço de saldo como ciganos na feira
cisão em várias porções do encéfalo humano
interjeição mortal como excessivo gás propano
elucidação de pacóvios que se acham fantásticos
derreto dogmas com metal em fluxos piroclásticos
assombrações esbarram-se na transparência espírita
que emano mesclada com pedaços de fluência empírica
humildade trave mestra que faz funcionar sistema límbico
sou secreto como um coral perdido no oceano índico
construção mental edificada desde a base dos neurónios
aula fechada e privada só a utentes sãos e idôneos
mamífero selvático largado num terreno baldio
potente raciocínio interligado a um gerador de energia e brio
do esgoto vem a poética mensagem da fantasia
terrível dialecto que até o mais mago druída extasia
evado-me da minha caixa torácica e bombeio saber para a rua
nesta cave das mil lágrimas a verdade é pura e nua!

Família Desgraça!

Num quarto escuro
um poeta trabalha duro
num papel branco vai desenhando o futuro
obscuro destino asfixiado pela agonia
o seu filho pequeno, coitado sofre de epilepsia
atolado em fármacos nem vê a luz pura do dia a dia
a atenção que deita às aulas é cada vez mais diminuta
o cérebro já não responde ao apelo da luta
a sua mulher faleceu quando a medula vacilou
a paz que reinava no lar depressa e sem pensar abalou
o dinheiro que entra não chega para fazer cobro às necessidades
já passou o tempo em que a sua vida era feita de vastas tonalidades
agora só o preto e branco colorem certas banalidades
stress acumulado transforma-se em raiva, desespero e loucura
o Pai era já um vulto daquele rapaz risonho que vivia na pura
sem cura para tal maleita escondia-se atrás dos versos
cada vez mais iguais e cada vez menos especiais e controversos
as drogas bateram a porta como o repto doce duma sereia
nele fazem miséria e prendem a sua alma numa vil teia
haxixe,cocaína, heroína que esconde a cobardia de quem a toma
impensável fim para quem ousou viver uma rotina fora das normas
agora neste quarto só resta cinza, canetas gastas e papeis esborratados
os cadáveres de pai e filho estão numa morgue sadicamente armazenados
sobra a alma titubeante e precária que chora lágrimas de ácido
resquícios dos químicos que tornaram o seu encéfalo flácido
uma vela ténue, uma corrente de ar, madeira que range, sombrio
é triste quando algo tão magnífico como uma família acaba ao frio
sem apoios, esquecida, derrotada, viciada, destruída e acabada
quando a escuridão nos cerca, a nossa hipótese fica muito limitada
um forte abraço a todos que vivem diariamente na luta por uma vida melhor
ao frio, à fome, sem sustento ou suporte, sonhando com comida e calor
quando nem a poesia pode fazer levitar o espírito
é porque o nosso destino é mórbido e cínico...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Poeta

Quiromancia lida nas mãos de um ferreiro
feiticeiro que é incompreendido e passa por interesseiro
destruo a pirâmide da mentira que ensombra a vivência
inocência perdida quando lidei com este mundo de demência
bruxaria faz brilhar os olhos de quem a cobiça
quatro curiosos sentados numa mesa de maldade maciça
luz negra faz transparecer vultos na parede branca
corres a bom correr quando diabo em ti desanca
trepo de verbo em verbo como um lince ibérico
voo até ao topo sentado sossegado no meu teleférico
visiono em baixo de mim a normal vida do ser humano
ambição de alguns a esgotar-se na escuridão de um cano
ou na goela de um alcoólico que se destrói na taberna
eu prefiro criar a minha arte refundido na fria caverna
à luz da vela que me alumia toda a noite e todo o dia
tão bela tela onde descrevo com palavras a dor e agonia
que me perfura como um bisturi com a ponta aguçada
vela içada neste bote que só navega de maré agitada
cerro os dentes e os punhos e labuto sem cessar
não suporto projectos que cessam antes de começar
sequencial trabalho unindo rimas e metáforas em prol
de um mote que é criar poesia bélica e sincera num vasto rol
mas agora vou fechar a adega que tanto vinho mental publicita
não é qualquer cana rachada que esta palavra recita
um beijinho e um abraço deste poeta escondido
continuo firme e capaz em busca do cristal perdido...