Apresentação

Ser humano é medo, é fragilidade, lágrimas e sangue...
sofrimento, agonia, angústia e lamento sem fim...
a mim, a ti, a nós, o medo atacará até perder a voz..
vocês não acreditam...
enquanto isso..
ele age silenciosamente ...

Somos alimentados por medo!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Balanço.

Semeio sorrisos para colher abraços
dos meus amigos conheço todos os traços
baços espaços que escondem fracassos
neles estás escondido como um ladrão
apagão mental traz a tona o erro crasso
seja em tristezas ou em alegrias histéricas
genéricas situações que atraem invejas periféricas
cadavéricas faces que clamam pelo azar
mas eu sigo em frente já que adoro sonhar
inundar a minha mente de ambições e
metas correctas que se tiveres coragem
são concretizadas com a velocidade de setas
epilécticas reacções de quem prevê a dificuldade
sem imunidade também vejo a agressividade
dos tempos agrestes que revestem a cidade
outrora estandarte de sagacidade e vivacidade
agora é um beco ocupado por fantasmas
assustam levianamente putos com asma
população pasma quando loucos jogam
a vida humana num sorteio sádico
por causa de notas ou plasmas!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Rosa

Uma flor era rosada e viçosa
bafejada por uma brisa bem airosa
era uma rosa bem vermelha
o seu nome reflecte a beleza que espelha
numa mesa ou num jardim
nela consiste uma vivacidade sem fim
nem toda a mulher merece uma rosa..
é preciso ter simplicidade no trato
a entrega duma rosa é algo sensato
sentido e sentimental
meto-te num pedestal
se souberes ligar poesia e uma rosa
de forma tão valorosa
que faças algo mágico e crucial
uma rosa é uma rosa
não adianta rimar mais
valor desmedido
fresca como água, brilhante como cristais.

A crise.

Era uma vez uma terra escura como a face oculta da lua, onde tudo era cizento e sem tez, a terra era árida sem qualquer tipo de substância.Terra estropiada pela militância de soldades cruéis, sem qualquer tipo de clemência ou valores sobre a vida humana e o seu incalculável valor.O verde sucumbiu em prol do betão e a cor deu lugar ao pálido, a brisa tombou num desmaio profundo sendo agora um nauseabundo fedor de morte e angústia.

Estou a falar da cidade de Cifras, uma cidade outrora estandarte da prosperação, capital do capitalismo desenfreado, multiplos negócios coabitavam no mesmo espaço sideral. As crianças brincava em verdejantes campos de jogos, moderníssimos equipamentos desportivos para uma práctica saudável, tudo parecia perfeito
num cenário de alegria e amizade anestesiante, mas....
tudo tem um senão, esta paralisante perfeição desvaneceu-se como um castelo de cartas quando a inveja, cobiça, o ódio e a propagação da crise económica devastou banca e bolsa de valores, populução cegou ao entrar numa competitividade irracional, bens alimentares subiram em flecha para preços proibitivos no que toca à sobrevivência alimentar de adultos e crianças. Bancarrota foi o passo seguinte numa queda absurda onde todos clamavam perante justiça injustiçando quem pouco era responsável pela apocaliptíca situação desta metrópole que desabou em meia dúzia de meses.

O inevitável aconteceu! As actividades ílicitas propagaram-se de uma forma assustadora, ladrões, vigaristas, homicidas corruptos, drogados e prostitutas surgiram nas ruas à velocidade da luz, pintaram as esquinas de um preto mórbido, triste, silencioso, macabro e atroz, asfixiando a liberdade e o bem estar de quem nela cruzava em favor do seu único propósito: Conseguir angariar o maior numero de dinheiro possível para fazer face a uma miséria medonha que os envolvia num enlace de dor e depressão sórdida.As Crianças foram aprisionadas numa escola resultadista, sem qualquer tipo de consciência social, moral ou ética, adocicados desde cedo com o sabor infame do dinheiro que faz girar esta babilónia consumista onde a produção se sobrepõe a postura pessoal, carisma, talento natural e fantasista.

Esgotados desta luta inglória, os cidadãos foram falecendo, numa hecatombe brutal que ceifou milhares de vidas, envoltos num destino demoníaco, num ápice, as caras viraram lápides, os corpos viraram cadáveres, e as almas viraram espíritos negros que contrabandeavam sofreguidão e desespero em cada beco deste cemitério de almas.A placa giratória do dinheiro, essa meretriz dos tempos modernos, tinha acabo de fazer mais uma vitíma....


(Nesta fábula tentei metaforizar os efeitos nefastos da crise, e mais do que isso, os efeitos nefastos do dinheiro esbanjado sem dó nem piedade, que quando retorna leva tudo à sua frente, espalhando o caos anímico e financeiro nas principais cidades mundiais, mesmo com a crise que atravessamos, a cultura, o saber, o amor, o carinho, afecto, são tudo conceitos para muitos ilógicos, mas duma importância vital no nosso desenvolvimento e no nosso bem estar mental, espíritual e kármico durante o dia a dia, pense

"Antes de olhar para uma nota e dizer : adoro-te, olhe para uma mulher e diga : amo-te!"

Rui Castro

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Hipersónico.

O cronómetro conta e desconta o tempo,
grandioso evento num feixe de poesia,
anestesia mental dilui-se no flúido pensamento,
medicamento alucinogénico como cannabis,
polúis o teu hipocampo, dantes era amplo
agora é diminuto como o descernimento
de um sonâmbulo, abominável visão
atemoriza-me num espelho prostado
na parede, a minha sede de bruxaria
engole o meu bom senso, pertenço
à seita dos poetas mortos, como corvos
esvoaçamos até aos céus mais profundos
, do inferno oriundos, como profetas
contemos no bico os mandamentos sagrados
para tempos mais fecundos.

A minha medula
estremece quando sinto violarem o meu casúlo,
fulo, de placenta em placenta pulo,  enquanto
não chega o fogo da verdade, nele me emulo,
até as portas do paraíso, idealizo como será
esta nova passagem, hipersónica viagem,
um combinado de loucura e coragem, o portal
abre-se na sua plenitude, com tamanha magnitude,
amiúde calcorreamos este trilho, em direcção ao
brilho, que nos levará ao eterno Éden, onde um
poeta é tratado como um filho!

Jaula

Numa jaula sinto-me aprisionado
neste chão impregnado, triste fado,
neste escuro beco fui nado, só vejo
sangue e choro onde moro, neste
caos imundo está meio mundo traumatizado,
é a desgraça sem graça de forma gratuita,
fortuita furtuna não se coaduna com gente
que sofre de escleroses e dores prefurantes
na coluna.

Caem lágrimas em catadupa na face
do meu avó enquanto vê o toda uma vida
arruinada pela vigarice de uns tantos, mil e um
encantos e mais alguns sonhos, perdidos em
falsos cantos, onde ele viu prosperação e
felicidade agora só restam fantasmas e medronhos
irracional o modo como esfumamos ambições
de pessoas que lutaram uma vida, de forma prevenida,
longe da droga e da Sida, mal sabiam que o Diabo
estava dentro da sua própria família..


Aperta-me o coração quando topo que
no vago aspecto de um copo pode-se fazer
ruir um futuro alicerçado deste moço,
é triste a vaga alma que alguns ostentam,
a fúria que fomentam, a raiva que alimentam,
e só quando viram tudo de pantanas é que
se contentam, nessa gente não há amor,
calor humano, sorriso na cara, qualquer tipo
de fervor, só guardam inveja, cinismo, mentira
e rancor, descoloridos, vivem a vida a preto a
branco, destino enovoado no bréu,
é impressionante como conseguem subsistir
neste clico sem quaquel tipo de cor!

domingo, 27 de novembro de 2011

Escrita

Paisagem pintada a tinta preta,
caneta escorrega nesta biblioteca,
a luz do candeeiro já me fere o olhar
que vê brilhar esta folha, encolha
a palavra o que encolher, eu destilo
ódio e raiva nesta escrita, porque
estrupo os canalhas que maldizem de mim,
residem neste jardim à beira mar, pesar
sinto para aqueles que nao puxam inspiração
da sua mente, permanente estado letárgico
do hipocampo, amplo arsenal gasto de insultos
e trinta por uma linha para me rebaixar, não
posso relaxar, quando a escrita evolui todos os
dias, adivinha o que faço para me manter
na mesma forma? Busco conteúdos surreais
e totalmente fora das normas!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Cemitério dos Corações

Enlaço o destino na coragem quando nado
Até á margem, numa miragem vês a
Paisagem mais bela, relato o que vejo
Quando vejo, quando ouço,
Quando desejo num ápice como
O prazer de um beijo....
No rio vejo a transparência,
Apelo a sobrevivência da resistência,
Coerência espiritual, crucial para a
Continuação desta tropa criativa,
Nunca subversiva, gero apetência para
Espalhar esta missiva, para combater a
Destruição da sociedade,.....
A puberdade humana enjaulou a alma
Num circo de feras....
Cadavéricas aparições ilusionam salões...
Sejam bem-vindos ao cemitério dos corações....!