Apresentação

Ser humano é medo, é fragilidade, lágrimas e sangue...
sofrimento, agonia, angústia e lamento sem fim...
a mim, a ti, a nós, o medo atacará até perder a voz..
vocês não acreditam...
enquanto isso..
ele age silenciosamente ...

Somos alimentados por medo!

domingo, 10 de julho de 2011

Poesia Natural

Dizem que tenho talento
para dar e vender 
mas sinto-me vazio de momento
sem ninguém para aquecer
sucesso, dinheiro e fama não é tudo
são das coisas mais pequenas
prefiro escavar mais fundo
gritar pelo verdadeiro amor até ficar mudo
afónico, porque a voz também se gasta
numa corrida louca rumo à felicidade
a obsessão pelo próximo é nefasta
retira qualquer gota solta de sanidade
infesto a minha mente com dragões e duendes
endiabrados e enfeitiçados com esta poesia
não mudo por muito que tentes
sou viciado na dualidade da fantasia
tanto nos traz prazer
como nos joga borda fora
num segundo a chamar está a arder
mas no outro toda a gente te ignora
a caneta tem vida própria 
reencarna Camões neste objecto metálico
a paixão que nutro pela escrita é óbvia
prima pela evolução do músculo encefálico
faço de Houdini e caminho neste pântano 
flutuo levemente sem criar ondas
como antigamente levo rimas num cântaro
busco o português perfeito na gramática com uma sonda
ponto de encontro entre a seriedade e a criatividade
a combinação entre mente e coração
o equilíbrio interior é a receita da longevidade
intelecto estimulado é sintoma de total coordenação
dos neurónios que são banhados em sabedoria
pura e sem químicos ou fusões
a vida é uma ninharia
quando vivida aos tropeções

É bom ter talento

sucesso

mas o amor é a alavanca do mundo


....

A toxicidade desta humanidade
reduziu-nos à banalidade
construiu uma muralha entre as pessoas
ergueu o preconceito e a maldade
poluiu rios e lagoas
matou a fauna e a flora
traumatizou uma biosfera inteira
com atentados em série
isto terrorismo de primeira
isolou o planeta terra no olho da intempérie
culpa não morre solteira
tem sempre companheiro à altura
o homem corre para a feira
quando a verdade é pura e dura...


Respeitem a natureza

Respeitem o Planeta

Respeitem-se


Rui Castro

Farsa

Num périplo na tua mente vejo a tua ignorância
consigo ver que foste muito triste na tua infância
violência doméstica era o teu pequeno almoço diário
foste agredido violentamente quando saíste do armário
os teus olhos pisados só vêem a parte negra da vida
foste banido como uma mosca pelo sopro dum insecticida
tomas químicos em série para tapar o sol com a peneira
poupas a semana toda para te drogares à Sexta-Feira
abre os olhos e vê que esta vida é muito mais que festa
cuida bem da tua porque não tens mais nenhuma a não ser esta
a tua Mãe vê nas cartas a melhor maneira de enganar clientes
e o teu Pai é polícia e passa a vida a prender falsos delinquentes
teu irmão engana os amigos com negócios de bradar aos céus
exibes as tuas cicatrizes das seringas como uma sala de troféus
como uma psicanálise faço um relatório desta tua desgraça
o pêndulo tomba para um dos lados tomando partido do teu destino
decifro que estás farto deste mundo triste e elitista
pensavas ter uma irmã mas era o teu cota que era transformista
o teu coração é uma bomba relógio pronta a implodir no teu organismo
o teu espírito vendeu-se aos média porque só busca o protagonismo
bem vindo ao mundo deste rapaz que vive paredes meias com a desgraça
é triste quando vivemos décadas imbuídos numa farsa!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Labirinto

Num labirinto profundo
ouço vozes frias bem lá no fundo..
vultos vagueiam pela sala de estar...
sinto algazarra no ar, quem está a protestar?
Poltergeist rebelde parte tudo que encontra..

Cuidado!

Este fenómeno paranormal é de ter em conta...
adoro sentir o arrepio na espinal medula ..
as tuas narinas viciam-se no ar tóxico que circula..
o teu crucifixo inverte-se num rasgo de sadismo...
bloqueio-te os sinais vitais em sessões de espiritismo..
sistema central colapsa e entra em descompensação..

Convulsão..

Perfuração do hipotálamo de modo vil..
gases nocivos aumentam a frequência cardíaca para mil..
doseamento da respiração para evitar asfixia..
é este o lado obscuro da tão bela fantasia...
sejam bem vindos, ao meu mundo de fantoches e aparições..
vivemos de espectros,  alimenta-mo-nos de sonhos e secretas
ilusões....

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Farto!

São 4 da manha e eu penso na minha vida
triste e solitário no quarto de luz refundida
quero que a fama se lixe quando só me entristece
não posso errar nem fazer livremente o que me apetece
errar é humano mas parece que não o sou
fui o eleito da poesia que esta gente ansiou
durante anos a fio chorando lágrimas de crocodilo
agora ignoro a marca das roupas e o estilo
fúteis manias não me atraem é só lixo
foco o sorriso sincero duma terna jovem olhando fixo
estou farto desses sorrisos amarelos
e olhares de esguelha destes habilidosos caramelos.
não preciso de vocês falsas luzes de aviso
prefiro guiar-me por mim mesmo e viver de improviso
tenho orgulho na gente que me acompanha
sinceros e fiéis como eu que não os tenho para fazer campanha
façanha é com poucos recursos fazer um arco-íris de alegrias
alergias tenho a quem usa cunhas para subir nestas galerias
estou farto desta escumalha que destila ódio
ficam a saber que isto que eu faço é pior que ópio!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Dom

Reluzente como a ponte Don Luís
dom que trago neste meu corpo ferido
cicatrizado pelos ventos vindos da serra
a guerra é o pitoresco cenário do poema
fonema evade-se na sala escurecida e fria
eu escrevi durante anos fechado no quarto
fiz o parto cesariana a esta rima incandescente
indecente critica ouvia repetida sem jeito
enjeito toda a forma de descrição da realidade
dualidade rejeito para firmar a firmeza da postura
a doçura com que acarinho a face do meu amor
como a Capela dos Ossos sou misterioso e silencioso
nervoso quando me traem pelas costas com ideias opostas..

domingo, 3 de julho de 2011

Decadência

O homem é raivoso e mau com a sua raça
despedaça com lâminas o âmago do próximo
mas nem sempre assim foi no planeta Terra
na pré-história havia a pureza natural e humana
o binómio caçador-presa era o tópico do dia
reluzia nos olhos o brilho do amor sem aditivos
cada um caçava aquilo que precisava sem luxos
fluxos batiam certo com a coordenação central
do núcleo gravítico do planeta...


A criança nascia naturalmente sem processos
mecânicos ou plásticos que entorpecem gestos
nefastos à natural acção motora e intelectual
daquele que foi eleito pela mãe-natureza habitante
deste habitáculo aparte do espectáculo e que prima
pelo equilíbrio e calmas paisagens a roçar o bucólico
melancólico sentimento que me enjaula neste meu
cubículo emparedado com betão e ferro
berro porque me asfixio neste oxigénio tóxico
inóspito...


Inventaram o álcool
segui-se o degredo do tabaco
finalizaram com o demónio das drogas..
restringiram a sociedade a uma sala de pânico
país anémico que se suga a si próprio..
dinheiro como ópio que colecciona viciados
agoniados em esquinas que se esfumam no breu..



sábado, 2 de julho de 2011

Mais uma...

Mais uma jornada  vivida na tenda
grande fenda no sistema que é real
e não se dá com cinema...

Contraponho a mentira com verdade
límpida como a paisagem duma herdade
miragem é a liberdade com facilidade
habilidade de criar um mundo só nosso
moço luta pela tua coragem...

Nem cama nem chama sou um
urbano sem ser nódoa que cai no
melhor pano e estraga a cena já
de si pequena e miúda dá voz
a essa gente muda e muda
essa cena para o bem de todos
nós!

Abstracta sensação de sentir
abrir horizontes entre os montes
montes de emoções em poesias
ou canções que provocam o tumulto
culto ser que sem pertencer a núcleos
nem seitas te aceita no seu seio sem
ser pela tua namorada ou pelo seio dela
à luz da vela o poeta escreve entorpecido
pela voraz e branca neve...